Ilda Pereira, da Casa Myzé Team, sagrou-se Campeã do Minho de XCM em Elites Femininas ao terminar no pódio o 5.º BTT5 XCM Vila de Melgaço, prova decisiva para a atribuição dos títulos do Campeonato do Minho BTT XCM – Discover Melgaço e pontuável para a Taça de Portugal de Maratonas BTT.
A ciclista de Guimarães, que em junho sofreu um grave acidente durante uma prova em Itália, regressou às Maratonas e conquistou o terceiro lugar na terceira e penúltima prova da Taça de Portugal, gastando mais oito minutos que a grande vencedor, Ana Antunes (Ser e Parecer Publicidade-Cycling). Na segunda posição ficou Celina Carpinteiro (BTT Loulé/Elevis).
Ilda Pereira assegurou ainda a conquista da Camisola de Campeã do Minho da categoria, prémio que irá receber na Gala da ACM, que está marcada para novembro.
CECÍLIA ARAÚJO CAMPEÃ EM MASTER 30
Ainda em femininos, Cecília Araújo (FigueirasBTT/Lousada/CarvicTea) foi segunda na prova de Master 30 e sagrou-se Campeã do Minho da categoria, juntando assim o título de XCM ao de XCO que já tinha conquistado em setembro.
Na segunda posição do Campeonato do Minho ficou Mónica serrano (MonçãoBike/LusoPrint/Bombos S. Sebastião, foi terceira.
Em masters 40, a vitória na prova de domingo foi para Raquel Santos (BTT Seia), Virgínia Moreira (SAERTEX Portugal-Edaetech) foi sexta classificada e sagrou-se Campeã do Minho da categoria.
ILDA PEREIRA “ESTA PROVA FOI UM MISTO DE EMOÇÕES”
“Esta prova foi um misto de emoções…”, foi assim que a vimaranense Ilda Pereira (Casa Myzé Team) começou por abordar a Maratona Vila de Melgaço. A Campeã do Minho de Elites em BTT XCM referiu que “é incontornável voltarmos a 15 de junho e ao acidente e a tudo o que isso causou. Tive dois meses fora da ‘bike’ e três meses fora do BTT. Portanto, estar aqui foi um grande desafio. Alinhar já foi uma vitória. Depois foi apalpar terreno. Era esse o objetivo, era colocar-me numa zona que eu gosto tanto, que é a competição, mas a começar do zero…apalpar terreno, avaliar-me e vendo como me sentia a nível técnico. Confrontar-me com o terreno e as irregularidades”.
Ilda Pereira salientou que “fui observando tudo, fui gerindo e tentando divertir-me um pouco, porque apesar do sofrimento que a competição causa, temos que nos divertir. Senti-me muito satisfeita com o que consegui fazer, depois de três meses fora do BTT e estar a disputar o pódio… tenho de estar muito grata”.
“QUANDO OS FANTASMAS APARECEREM PERDI ALGUM TEMPO”
Ilda Pereira confessa que não foi uma prova fácil… “tentei colocar o meu ritmo, quando os fantasmas apareceram perdi algum tempo. Seguia no segundo lugar e a três quilómetros da meta cai para o terceiro lugar, mas finalizei e está tudo bem. Ganhei consciência do que tenho de melhorar. Parabéns para a Ana, que enfrentou a prova com muita garra, para a Celina, que é uma atleta muito inteligente em competição, e também parabéns para mim e para quem está comigo porque estamos a mostrar que o trabalho faz sentido”.
Para além da Taça de Portugal, a Maratona de Melgaço atribuiu ainda os títulos de Campeão do Minho… “eu pensei muito nisso e esse foi um dos motivos para estar cá. Nós dizemos coisas e temos de ser responsáveis por aquilo que dizemos. Sempre disse que o Minho era a minha casa, entrei no Ciclismo como Elite, entre para o Minho com muito apoio do senhor Teixeira, que foi o senhor que me colocou cá, que confiou. Por isso, todos os anos eu estou a correr pelo Minho, posso não estar com a mesma regularidade, mas é com o mesmo empenho e carinho… e poder terminar a época com a Camisola de Campeã do Minho, sabe mesmo muito bem”.
De resto, Ilda Pereira está ainda a recuperar das mazelas, físicas e psicológicas que sofre com a queda de julho. “Foi um ano muito difícil. O acidente deita a época por terra. Comecei bem a época, conquistei bons resultados. Na Volta a Portugal já estive bem. Mas esta é uma época que eu vou ter de digerir, de refletir muito sobre ela e crescer com ela. Não é de todo fácil”.
“ESTA CAMISOLA É IMPORTANTE…OS MEUS OBJETIVOS ERAM OUTROS”
Afirmando que “esta camisola é muito importante”, Ilda Pereira salientou que “os meus objetivos eram outros. Tive de faltar os Campeonatos Nacionais e outras grandes provas. Agora é importante ir regressando à competição. Era importante para mim fazer esta prova, foi um desafio…como foi um desafio aperceber-me como me encontro em prova”.
Qual é o teu maior receio? “Para já, eu ponho sempre objetivos altos a mim própria, sou muito perfeccionista e ambiciosa… Também sou muito racional e percebo que os objetivos que estou a colocar, e eu já atingi, não estão ao meu alcance neste momento”, referiu Ilda Pereira, que confessou que “o meu corpo ganhou uma importância para mim que não tinha antes. Depois é perceber que andamos aqui a zero. Uma queda, e uma queda como aquela que eu sofri, é um dispêndio enorme mental, mas também económico. E começas a ganhar consciência das coisas e dos riscos que corres”.
Fotos: Marcelo Lopes; by Eduardo Campos