
“É um sentimento difícil de descrever. Há muita satisfação, claro, mas acima de tudo um grande respeito por todo o processo que me trouxe até aqui”, foi desta forma que Davide Figueiredo, da Associação Figueiredo’s Runners & Friends, comentou a marca de 31:48.05 minutos, que conquistou nos Campeonatos de Portugal que decorreram no fim de semana em Lisboa e lhe valeu o recorde do Mundo na distância.
Davide Figueiredo bateu um recorde que perdurava desde 2011, retirando cerca de três segundos… “Este recorde não é apenas um momento, é o resultado de muitos anos de trabalho consistente, de dias bons e menos bons, sempre com a mesma dedicação. Sinto gratidão por poder continuar a evoluir com a idade e competir a este nível… e também responsabilidade de representar bem o Atletismo e todos aqueles que acreditam em mim”.
Bater o recorde do Mundo era um objetivo? “Era um sonho que tinha bem presente”, disse Davide Figueiredo, que adiantou: “sentia que tinha capacidade para alcançar o recorde mundial e preparei-me especificamente para isso. Entrei na prova com a mente totalmente focada nessa marca, com tudo planeado ao detalhe — desde o ritmo por volta até às passagens aos 200 e 400 metros. Ao longo dos 10.000 metros fui recebendo muita informação, o que me ajudou a manter o controlo e a ajustar o esforço. Não surgiu por acaso; foi algo pensado, trabalhado e executado com disciplina”.
O atleta de Famalicão referiu que “Tive o meu apoio durante as 25 voltas fora da pista. O João Carvalho (Paulinho), meu sobrinho, controlava o relógio a cada 400 metros… e acertou na marca que eu ia fazer… 31.48”.
O que gostou mais na prova e o que lhe custou mais? “Correr na série dos melhores de Portugal foi muito importante e acabou por ser decisivo para o resultado. Até aos 5000 metros ainda consegui integrar um grupo com o ritmo certo para a marca, o que ajudou bastante na gestão inicial da prova”, lembra Davide Figueiredo, que confessa que “a partir daí, quando fiquei, praticamente, sozinho durante cerca de 12 voltas, foi a parte mais exigente. Tive de me apoiar muito na concentração e na força mental para manter o ritmo e não deixar fugir o objetivo.
O momento que mais me marcou foi a última volta. Foi muito intensa, e quando cortei a meta e vi o tempo — 31:48.05 — vieram-me as lágrimas aos olhos, de felicidade e gratidão. Foi um instante muito especial”.
Com os Campeonatos de Portugal feitos e o recorde do Mundo na sua posse, o atleta de Famalicão está já focado no Mundial e na procura de apoios para a viagem… “O próximo objetivo é competir no Campeonato do Mundo Masters, na Coreia do Sul, que se realiza em agosto. Neste momento, a presença depende, exclusivamente, de apoios para viagem, estadia e logística”.





