“Se a oportunidade surgir vou tentar surpreender” é este o espírito com que José Mendes, ciclista de Guimarães que alinha na Aviludo/Louletano/Loulé Concelho, parte para as últimas etapas da 83.ª Volta a Portugal em Bicicleta.
O ciclista vimaranense, Campeão Nacional em 2016 e 1019, tem sido um dos mais inconformados do pelotão e tem procurado insistentemente entrar nas fugas, conseguindo por diversas vezes dar visibilidade à equipa e aos patrocinadores.
Na etapa de ontem, que ligou a Mealhada a Miranda do Corvo, José Mendes foi um dos ciclistas que mais vezes tentou escapar… mas a verdade é que “a equipa do Camisola Amarela não permitiu que a fuga vingasse” e, por isso, “só tivemos fuga por volta do km100 e esteve sempre controlada”.
“Nós tentamos… por acaso, sentia-me bem e arrisquei. Tentei ir para a fuga durante, praticamente, toda a etapa”, mas “quando ela, finalmente, se formou acabamos por não conseguir meter lá alguém. Já estávamos desgastados do trabalho que tínhamos feito”.
José Mendes decidiu então “fazer a subida de forma tranquila e recuperar para os dias que se seguem”, mas “fui insistindo sempre mais um pouco para estar entre os primeiros. Percebi que não estava mal e fiz a subida toda num bom ritmo”.
O ciclista de Guimarães acabou por fazer o 25.º lugar: “não é um resultado por aí além, mas é um bom indicador… se não tivesse tido aquele desgaste todo durante a etapa, poderia ter feito mais qualquer coisa na parte final”.
“A VOLTA ESTÁ A CORRER MAIS OU MENOS”
José Mendes tem estado muito ativo nesta Volta a Portugal, aparecendo várias vezes na frente do pelotão a tentar a fuga…
“A Volta está a correr mais ou menos. A etapa da Serra da Estrela não correu nada como estava a espera… Estava a contar fazer uma subida muito melhor. Durante a etapa até me senti bem, mas com a aproximação à subida, ainda na zona da Covilhã, senti que não estava com pernas e custou-me muito fazer a subida”.
Já na quarta etapa, José Mendes entrou na fuga e não fosse uma avaria poderia ter conseguido fazer uma surpresa… “A avaria a cerca de 20 quilómetros da meta foi um duro golpe. A fuga se calhar não vingava, como acabou por não vingar, mas se lá estivesse era mais um para ajudar e poderia surpreender”.
José Mendes lembra que “a avaria surgiu na zona do paralelo e obrigou-me mesmo a parar… o que foi fatal porque a etapa correu-se a grande velocidade e todos os minutos parados contam imenso”.
Aliás a Volta a Portugal, apesar do imenso calor que se tem feito, tem sido feita a grande velocidade… “Sim, tem andando muito rápido. A de hoje (ontem) foi mesmo fora do normal. Já sabemos que na Volta, a partir de certa altura, torna-se difícil formar uma fuga, mas hoje levou mais de duas horas… e isso fez com que a corrida fosse muito rápida. Aliás, tirando a etapa da Torre, que é muito dura, todas as outras se disputaram a grande velocidade”.
Também nas primeiras etapas tentaste andar na frente… “Nas primeiras duas etapas tentei entrar nas fugas, o que é bom sinal, significa que estou bem fisicamente para ali estar. Depois é uma questão de como corre a corrida, a reação do pelotão”.
“SE TIVER CAPACIDADE E SE A FUGA VINGAR, VOU TENTAR ESTAR LÁ… É UMA BOA OPORTUNIDADE PARA ESTAR NA DISPUTA DA ETAPA”
Esta quinta-feira a etapa liga Águeda a Maia, quais são as expetativas? “Teoricamente terá uma chegada ao sprint. Tenho de estar atento. Não acredito que a equipa do Camisola Amarela vá querer controlar, já tem uma boa margem de manobra. Será uma etapa para estar com atenção. Se tiver capacidade e se a fuga vingar, vou tentar estar lá… é uma boa oportunidade de estar na disputa”, disse José Mendes, que salientou que “se a etapa for decidida ao sprint será mais difícil porque os principais corredores estão a andar muito bem”.
Quanto aos restantes prémios… “Já não vale o esforço. Vai ser um corredor da Geral que vai ganhar. Só os pontos da Serra da Estrela, da etapa de hoje (ontem) e da Senhora da Graça decidem tudo”.
Para José Mendes “a forma de surpreender nesta Volta é tentar entrar numa fuga que chegue ao fim para assim poder estar na discussão. Claro que não é certo que ganhe, mas estando na fuga terei uma oportunidade”.
O ciclista da Aviludo confessa que “gostava de conseguir vencer uma etapa. Temos algumas interessantes para disputar, mas claro que tudo depende de como o pelotão as vai encarar. Seja como for estou muito focado e atento a qualquer oportunidade”.
“BRAGA? QUEM SABE…”
A etapa de Braga, pode ser uma boa oportunidade? “Quem sabe… Vamos ver como corre a etapa, o que as outras equipas vão apresentar e como vão reagir às situações. Se tiver oportunidade vou tentar surpreender”.
Como te tens sentido ao longo da Volta? “Hoje (ontem) senti-me bem. Era o dia a seguir ao descanso e é sempre uma incógnita, mas estou contente com a etapa que fiz. Tentei ir para a fuga. Depois o desgaste não deu para mais. É uma diferença muito grande atacar e ir na roda. Se não tivesse tido toda aquele desgaste durante a etapa, teria tido, com certeza, outra reação na subida”.
Apesar de ainda não teres ganho qualquer etapa, é importante andar na frente do pelotão e tentar entrar nas fugas? “Claro que é importante para mim e para os patrocinadores. Quem não é falado, não é lembrado como se costuma dizer. Claro que todos nós queremos ganhar uma etapa, mas estamos satisfeitos com o trabalho que estamos a fazer e ainda falta um dias para terminar a Volta, vamos ver o que conseguimos”.