“Saio satisfeito com o meu rendimento. Dei o meu melhor durante todo o ano, embora muitas vezes os resultados não reflitam o trabalho que se faz dentro e fora da prova”, foi assim que José Mendes, ciclista de Guimarães que alinha na W52-FC Porto, começou por analisar a época 2021.
O ciclista vimaranense, Campeão Nacional em 2016 e 2019, referiu que “em termos de resultados foi um ano nulo, muito longe do que esperava fazer. Podia ter feito melhor se a época fosse mais bem planeada”, mas “quando não corre bem a responsabilidade é sempre do atleta”.
José Mendes garante que “não estou a culpar ninguém, apenas sei que a época poderia ter corrido melhor. Claro que comparativamente ao ano anterior, foi uma época mais positiva porque tive mais corridas”. De resto “estou numa equipa em que o resultado individual é o menos importante. O mais importante é a equipa, trabalha-se como equipa e com o objetivo de obter resultados para a equipa. Em todas as provas tivemos atletas na discussão e algumas ganhamos mesmo. Isso, no fundo, é o mais importante…todos os objetivos pessoais passam para segundo plano”.
AS DIFICULDADES DE CORRER EM PORTUGAL
O ciclista de Guimarães, que regressou a Portugal em 2019, sente que “depois de correr tantos anos no estrangeiro ainda não estou totalmente adaptado à forma de correr em Portugal. Já tive tempo, mas há coisas que ainda me custam. Regressei em 2019 e apesar de ter sido Campeão Nacional foi um ano de muitos altos e baixos, essencialmente, porque a forma de correr é muito diferente. Seguiu-se o ano da pandemia e tivemos tão poucas corridas que não deu para fazer uma melhor adaptação”.
Este ano, José Mendes já participou em mais provas e considera que foi na Volta ao Alentejo que se sentiu melhor… “a prova que me correu melhor foi a Volta ao Alentejo. É uma prova internacional, em que as equipas controlam melhor as corridas, em que existe um plano e uma forma de correr com que me identifico mais. A maior parte das corridas em Portugal são tensas, muito nervosas, sem controlo e, por vezes, não ganha o mais forte, mas quem se aguentou melhor”.
José Mendes fez 12.º lugar na Volta ao Alentejo e considera que “se tivesse outro tipo de calendário poderia estar ao nível de há uns anos atrás”, até porque “trabalhei muito e bem para esta temporada. Estava preparado para entrar em qualquer prova”.
Considerando que “com a falta de planeamento entra-se num ciclo que não se sabe bem o que fazer”, José Mendes confessa que “o que me custou mais e me deixou mais chateado é saber que podia ter rendido mais, que não fui tão útil como podia ter sido se tivesse outro tipo de planeamento”.
José Mendes considera que “quando corri senti-me bem, útil à equipa”, aliás “em termos de equipa senti-me sempre bem neste grupo e estar numa equipa ganhadora é motivante”.
A ESTREIA NO CICLOCROSSE
Depois de um ano tão complicado como o de 2020, em que durante algum tempo os ciclistas tiveram de trabalhar isolados e em casa, José Mendes entrou em 2021 determinado em ter novas experiências…
“Participei no Campeonato Nacional de Ciclocrosse. Diverti-me imenso numa vertente que nunca tinha feito. É uma boa forma de preparar a época… Foi uma experiencia muito boa. Este ano se puder volto a fazer”.
Com a época encerrada, José Mendes, que participou no fim de semana num evento da equipa com os adeptos na Covilhã, vai agora “fazer um descanso físico e psicológico” porque “é preciso descansar e recarregar as baterias”.