Os Say Yes foram sextos classificados no Campeonato da Europa de Show e Precisão, que se realizou em Lleida, Espanha e terminou estar tarde.
O quarteto minhoto, que apresentou uma coreografia nova e arrojada, era um dos candidatos às medalhas, mas acabou por ficar com o Campeonato da Europa marcado pelo assalto que sofreu na quinta-feira e em que lhe roubaram unicamente os patins. Os Say Yes não desistiram e com a ajuda do mundo da patinagem artística conseguiram atuar (com patins emprestados e aos quais não estavam habituados)…
“Fomos Campeões Europeus em garra e atitude porque o que fizemos nunca ninguém faria. E temos recebido muito esse feedback, felicitam-nos de vários países do mundo”, disse Emanuel Salvadinho, um dos elementos dos Say Yes.
De resto sempre que aconteceram situações do género – problemas com os patins – os patinadores não atuaram, mas os Say Yes marcaram presença no Europeu e mesmo com latina emprestados e duas quedas foram o melhor quarteto português em prova.
EMANUEL SALVADINHO: “TEM UM SABOR AGRIDOCE”
Emanuel Salvadinho garante que este Campeonato da Europa “tem um sabor agridoce. Estávamos com bastante confiança de que poderíamos fazer uma atuação sem falhas e o ambiente de grupo estava excecional”, mas “de um momento para o outro tudo se alterou. No fim de um treino na quinta-feira fomos à praia a uma zona segura e bastante movimentada, parteM-nos o vidro do carro e roubam os patins… somente os patins. Não tínhamos nada à mostra no carro e houve vários bens que não foram levados, apenas tirados do sítio onde estavam escondidos (por exemplo um iPhone). Muito estranho…”.
Foi então que Emanuel Salvadinho e os Say Yes conheceram o lado solidário dos fãs e da patinagem artística…
“Foi incansável o apoio que recebemos a partir daí, desde fãs da nossa página à própria organização do Campeonato da Europa e à Comissão Europeia de Patinagem Artística. A menos de 24 horas da nossa atuação conseguimos quatro pares de patins emprestados pelos atletas dos Royal Eagles (Itália) e CPA Olot (Catalunha). Fizemos cerca de três horas e meia de treino com os patins na sexta-feira. Pelo meio tivemos ainda de reparar um dos patins porque não estava nas melhores condições. A adaptação correu melhor do que esperávamos, pois, percebemos que seria possível patinar, embora bastante limitados”, disse aquele patinador.
Emanuel Salvadinho salientou que “o treino oficial esta manhã e a prova não correram como desejávamos, mas correu como era possível. Estávamos muito limitados a nível de destreza de patins e isso fez-nos ter muitas falhas e duas quedas”, mas “o que tiramos de bom desta situação foi o apoio incansável que recebemos. Fomos acarinhados por pessoal de todos os países. A nossa página de Instagram foi bombardeada com mensagens de apoio e pessoas a tentar ajudar. Quem tem amigos tem tudo”.
“ESTÁ SITUAÇÃO TAMBÉM UNIU MUITO O GRUPO”
“Esta situação também uniu muito o grupo. Foi um espírito enorme de entre ajuda que fortaleceu muito os nossos laços de amizade. Foi uma lição para nós e para o mundo da patinagem de garra e superação. Não era o que queríamos de todo, mas há coisas que não podemos controlar. Estamos felizes, saímos de cabeça erguida, orgulhosos de nós e com vontade de começar a trabalhar para as provas que se avizinham (depois de arranjarmos patins novos e nos adaptarmos a eles)”, referiu.
Quanto ao futuro – o Campeonato do Mundo realiza-se já em outubro – Emanuel Salvadinho salientou que “o nosso próximo desafio será arranjarmos patrocínio para quatro pares de patins o mais rápido possível e começarmos a adaptarmo-nos a eles. Consoante isso faremos o plano de treinos para o Mundial, que é já daqui a dois meses”.