A Associação Desportiva de Esposende viu a retoma do Basquetebol adiada pelo novo confinamento anunciado esta semana pelo governo. O clube esposendense preparava-se para dar um novo impulso à secção que sofreu bastante com a pandemia do Covid-19.
O clube contava, nesta altura, com cerca de um quinto dos atletas a treinar. A equipa que mais sofreu com a desistência de atletas, foi a de Sub-18, treinada por Joel Martins, que já tinha suspendido os treinos. Mas nem tudo eram más notícias. Os Sub-16, treinados por Rui Moura, e os Minis (Júlio Lopes, Gabriel e o pai de um dos meninos) tinham agora um grupo estável nos treinos e, na última semana, surgiu a possibilidade do reatamento dos treinos da equipa feminina.
JÚLIO LOPES: “POUCOS MIÚDOS, MAS ESTÁVAMOS A CONSEGUIR MANTER ALGUMA ATIVIDADE”
Júlio Lopes, responsável da secção de Basquetebol da ADE, salienta que “nesta altura estávamos a treinar nem a meio gás do que seria de esperar. Temos pouco miúdos, mas estávamos a conseguir manter alguma atividade de treinos, com a ajuda dos pais e grande empenho dos treinadores”.
Entre os vários escalões, os Minis foram, curiosamente, um dos escalões que se manteve mais estável: “contamos com um pequeno grupo de cinco, seis miúdos que apareciam regularmente aos treinos e com quem podíamos ir trabalhando”, disse Júlio Lopes, que adiantou que “nos Sub-16 também tínhamos um grupo estável de seis a oito atletas. Tivemos algumas interrupções, mas fomos mantendo os treinos com um número razoável de atletas”.
Já os Sub-18 “optamos por suspender os treinos porque os miúdos deixaram de aparecer e às vezes tínhamos um ou dois atletas no treino. Assim, não vale a pena, suspendemos os treinos, mas os atletas que queriam continuar a treinar podiam fazê-lo com os Sub-16”.
Também nos Sub-14, a ADE não tinha muitos atletas e o clube decidiu então integra-los nos treinos dos Minis: “quando os meninos apareciam ao treino, eram integrados nos trabalhos. Tinham sempre a porta aberta para treinar” referiu Júlio Lopes.
“REDUÇÃO MUITO GRANDE DE ATLETAS”
O dirigente do Esposende refere que “tivemos uma redução muito grande de atletas com o aparecimento da pandemia. Este ano e depois da suspensão dos treinos e dos jogos o ano passado foram muito menos os atletas que apareceram”
Questionado sobre as razões da desistência de tantos atletas, Júlio Lopes referiu que “eu acho que o principal, o que desmotiva mais é não haver competição. Os miúdos veem que não têm jogos, então não vêm aos treinos. Depois passa um treino, dois, uma semana, duas e deixam e aparecer por completo. Depois temos estas paragens que não ajudam nada”.
“No desporto, e tirando raras exceções, os miúdos gostam da competição, é isso que os faz vir aos treinos. Agora nos treinos os trabalhos são quase sempre técnicos e individuais. Eles sentem falta do trabalho em equipa, do coletivo, da pressão dos jogos. Ir para ali fazer exercícios, sem poder passar a bola, não é motivador”, disse Júlio Lopes, que explicou que nos Sub-18 “acresce ainda o facto dos miúdos andarem no 11.ª e 12.º ano e terem exames. Então junta-se a desmotivação dos treinos, o facto de não haver jogos e a necessidade de treinar e desistem do Basquetebol”.
BASQUETEBOL FEMININO EM EQUAÇÃO
Curiosamente, antes deste novo confinamento, a equipa estava a planear avançar com um projeto que deu os primeiros passos exatamente há um ano…o Basquetebol feminino.
“Neste início de ano estávamos a planear retomar um projeto que começamos o ano passado, exatamente antes de aparecer a pandemia, e que era a criação de uma equipa feminina de Sub-16. Tínhamos um grupo de meninas que estavam no desporto escolar e que tinham demonstrado interesse em evoluir um pouco mais na modalidade. No início da época não conseguimos juntar as meninas, mas um grupo de sete ou oito meninas apareceram agora e mostraram interesse em retomar os treinos. Estávamos a planificar as coisas de forma que elas se integrassem nos treinos e ver o que iria sair dali”.
Júlio Lopes explicou que “elas ainda não estavam a treinar, íamos integra-las aos poucos, primeiro a treinar com os Minis. Se o projeto tiver pernas para andar, com certeza, que vamos organizar para formar uma equipa de meninas”.