CICLISMO

José Mendes continua na W52/FC Porto: “quero mostrar que tenho capacidade de andar aqui”

José Mendes vai continuar a vestir as cores da W52/FC Porto na época 2021. O ciclista de Guimarães renova assim o contrato pelos azuis e brancos, depois de uma época marcada pelos sucessivos adiamentos e cancelamentos das provas devido à pandemia do Covid-19.

“Renovei por mais um ano com W52/FC Porto. A equipa deu-me a oportunidade de correr mais um ano e eu quero mostrar que tenha capacidade de andar aqui”, começou por referir José Mendes, ciclista de Guimarães, que já conquistou o título de Campeão Nacional de Elites por duas vezes (2016 em Braga e 2019 em Melgaço).

O ciclista vimaranense adiantou que “não vai ser uma época fácil. Este ano pelas razões que todos conhecem foi muito difícil. Eu, praticamente, não corri. Fiz três provas de um dia e dois contrarrelógios, foi um ano com pouquíssimas corridas… mesmo assim a equipa decidiu dar-me a oportunidade e espero responder à altura da confiança que depositam em mim”.

José Mendes está em Portugal há dois anos, depois de seis anos a correr no estrangeiro, e confessa que “a adaptação a correr em Portugal não foi muito fácil. No primeiro ano, ao serviço do Sporting, custou-me a adaptar e só com o desenrolar das provas é que fui ganhando ritmo. Tive o meu ponto alto no Campeonato Nacional de Fundo, em que consegui conquistar a camisola de Campeão Nacional. Tive ainda uma ou outra corrida em que fiz bons resultados”.

OBJETIVOS E SONHOS QUE A PANDEMIA LEVOU

“Este ano fiz uma boa pré-época. Tinha os objetivos bem definidos e tudo delineado para estar na melhor forma em abril, maio e junho e fiz o planeamento nessa direção… mas em março a época foi interrompida”, Lembra José Mendes, que acrescentou: “a partir daí foi tudo muito estranho, um incógnita total. Eu nunca deixei de treinar, mas a preparação em vários momentos da época não foi a ideal. Desde logo porque, numa primeira fase, ficamos confinados e não se podia ir treinar para a estrada. Depois a preparação foi sendo feita conforme iam sendo agendadas as provas, só que, infelizmente, elas também foram adiadas outras foram canceladas e tudo isso mexia connosco que fazemos do ciclismo a nossa vida. Foram muitos os golpes na motivação que tivemos durante o ano”.

CAMPEONATO NACIONAL: “FOI UM DIA QUE CORREU MUITO MAL”

Entretanto, chegaram os Campeonatos Nacionais…“eu estava motivado, afinal ia tentar revalidar a camisola de Campeonato Nacional. Senti que tinha feito uma boa preparação, mas foi um dia que correu muito mal, nem consegui terminar a corrida”.

José Mendes faz, por isso, um balanço menos positivo dos Campeonatos Nacionais e da época em si…“deste ano não faço um balanço muito positivo. Fiquei triste porque não consegui discutir a corrida nos Campeonatos Nacionais. Racionalmente, sei que se tivéssemos tido um calendário normal, naquele dia ia defender a camisola da melhor maneira, mas foi um ano atípico, ninguém se lembra de um ano assim”.

“Agora é encarar o futuro com otimismo, esperar que as coisas melhorem e que voltem ao normal para podermos ter um calendário de provas digno. Se calhar não vamos ter uma época desportiva tão densa como há alguns anos, mas que, pelo menos, tenhamos competições suficientes para toda a gente poder correr e mostrar o seu valor. E chegar ao fim da época e então eu poder dizer que dei o meu melhor e conseguir fazer uma análise do momento”.

Para além da pandemia do Covid-19, a época velocipédica ficou ainda marcada, no seu arranque, pelas más condições climatéricas… “foi realmente um ano estranho. A Prova de Abertura teve uma parte da corrida neutralizada devido ao mau tempo. A Clássica da Primavera também ficou marcada pelo estado do tempo, mas já conseguimos fazer alguma coisa. Pessoalmente, deu para ver que estava no bom caminho, em fase ascendente, apesar de não ter estado no topo de forma. Mas acabei a corrida a pensar já no próximo compromisso…”, que acabou por ser suspenso devido à pandemia.

“A partir daí foi uma temporada de altos e baixos e não sabia o rumo que havia de seguir. As provas foram sendo adiadas ou canceladas e sendo eu um atleta novo na equipa, numa equipa forte que ganhou a Volta a Portuga nas edições anteriores, sabia que iria ser difícil de assegurar um lugar para algumas das provas que se conseguiram realizar”, disse José Mendes.

A VOLTA A PORTUGAL: “O IMPORTANTE ERA QUE A EQUIPA CONSEGUISSE GANHAR”

O ciclista de Guimarães assegura que “fiz a minha preparação a pensar na Volta a Portugal, mas sabia que em condições normais a equipa estava pronta e eu estava ali como uma reserva. O importante era que a equipa conseguisse ganhar a Volta a Portugal. Eu não estive na prova, mas considero-me como um dos atletas que contribuiu para o êxito da equipa porque no FC Porto todos fazemos parte da equipa e de uma forma ou de outra contribuímos para os êxitos da equipa. Fiquei contente com a conquista, porque fiz parte do grupo”.

Sentiste-te desiludido por não teres estado presente na Volta a Portugal? “Claro que gostava de ter estado, mas num ano como este, com tantas incertezas, o mais importante era a equipa conquistar o seu grande objetivo….e a Volta a Portugal ganhou este ano, devido a tudo o que se passou, uma importância muito maior. Fico feliz por ter acompanhado a equipa nos últimos momentos, estive no estágio e acabei por estar com eles em Guimarães, onde se instalaram. Fiquei a ver de fora, acompanhei-os com muito entusiasmo e fiquei muito contente por termos conseguido alcançar os objetivos da equipa. Não fiquei frustrado por não ter ido, vi o trabalho árduo que todos fazem, é um grupo muito forte, unido. O segredo desta equipa é ter um grupo muito coeso, em que os atletas estejam a correr ou não, estão a torcer e a sofrer pelo mesmo objetivo. Isso foi algo que senti este ano…”.

“Só espero que o próximo ano possa estar melhor, possa mostrar valor e se a equipa precisar de mim eu esteja em condições de dar uma boa resposta”.

REGRESSO AOS TRABALHOS JÁ NA PRÓXIMA SEMANA

José Mendes pretende dar início à sua preparação já na próxima semana “espero começar a preparação durante a próxima semana. Vamos começar com algumas reticências porque não sabemos como vai ser o novo ano, mas esperemos que 2021 tudo corra pelo melhor e que a partir de fevereiro possamos ter corrida”.

O FC Porto apresenta este ano algumas novidades e José Mendes considera que “o FC Porto já tinha uma equipa forte, mas conseguiu reforçar-se ainda mais. Penso que vai continuar a ser uma referência no que toca a candidatos e a vencer provas como a Volta a Portugal, o JN, entre outras… Este reforço da equipa vai exigir mais trabalho para poder corresponder àquilo que a equipa pretende e merece da nossa parte”.

TÍTULO DE CAMPEÃO NACIONAL? “TENHO A NOÇÃO QUE A CADA ANO QUE PASSA TORNA-SE MAIS DIFICIL, MAS…”

José Mendes parte esperançado para a nova época desportiva, com muitos objetivos e alguns sonhos. Questionado sobre se estará na luta pela reconquista da camisola de Campeão Nacional, o ciclista de Guimarães referiu: “tenho a noção que a cada ano que passa torna-se mais difícil conseguir isso” e adiantou que “claro que esse é sempre um objetivo que está no meu consciente. Pretendo sempre fazer o melhor e, se possível, ganhar o título de Campeão Nacional. É uma sensação indiscritível. Este ano não aconteceu. Também sabia que pela maneira da equipa correr eu podia não ter essa oportunidade. Dei o meu melhor, mas não foi um dia que correu bem…”.

Depois já diz o ditado ‘não há duas, sem três’. “Gostava de fazer jus a esse ditado…espero que sim.. seria mais um momento alto. Conquistar três vezes o Campeonato Nacional ficava marcado, na história, mas temos de ir dia a dia, esperar que a oportunidade possa acontecer. Depois de estar na corrida não faltará a motivação e a vontade de querer chegar ao terceiro título”.

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