
“É um sentimento de dever cumprido” foi assim que Nuno Pereira, treinador da ADJ Vila Praia, abordou a subida ao Campeonato Nacional da II Divisão de Hóquei em Patins, assegurada domingo no recinto do CDPF Lavra, quando faltam disputar quatro jornadas.
O conjunto de Vila Praia de Âncora garante a subida a quatro jornadas do fim (a ADJ Vila Praia já realizou o jogo da 23.º jornada, faltando-lhe apenas três jogos), somando 22 vitórias em 23 jogos e tendo sofrido a única derrota à 17.ª jornada. A ADJ Vila Praia tem ainda o melhor ataque, com 147 golos marcados (a única a passar a centena de golos) e a segunda melhor defesa, com 54 golos sofridos (apenas o Limianos soma menos golos sofridos).
Nuno Pereira refere que “ter garantido já a subida de divisão é um sentimento único, de dever cumprido, depois de nos termos proposto, internamente, a esse objetivo” e adiantou: “o ano passado ficamos em terceiro, à porta de um possível lugar de subida. Aproveitamos o trabalho feito o ano passado, retiramos os ensinamentos e reforçamos o plantel, preenchendo as lacunas que tínhamos identificado do ano anterior e ficamos, efetivamente, mais fortes. Assumimo-nos como candidatos a lutar por aquilo que conseguimos domingo”.
Garantir a subida a quatro jornadas e com apenas uma derrota em 23 jogos realizados, parece ter sido uma campanha fácil. Foi assim? “Quem está de fora, usa muito a expressão do ‘parece fácil’, mas de fácil teve muito pouco. Lembro-me de recebermos o Penafiel à terceira jornada e treinarmos sem guarda-redes nessa semana. De recebermos o Lavra e termos o mesmo cenário. Na semana anterior, fomos à Póvoa sem saber se tínhamos guarda-redes para jogar”, disse Nuno Pereira, que adiantou: “também ouvimos, durante a época, que as arbitragens estavam a tornar a nossa subida mais fácil, mas, por exemplo, fomos a quinta equipa com mais bolas paradas contra, em toda a III Divisão. Não acho que tenhamos sido prejudicados, mas estivemos longe de ser beneficiados. A facilidade de subirmos a quatro jornadas do final construiu-se durante as semanas de trabalho”.
Qual foi o momento chave para o Vila Praia acreditar que era este ano? “Quando vencemos o Paredes em casa… Nessa altura ficaram a faltar-nos oito pontos e ainda tínhamos seis jornadas pela frente, sendo que, desses seis jogos tínhamos de defrontar os três últimos (Valença, Póvoa e Académico). Foi aí que fiquei com a convicção de que a subida já não nos fugia e que seria uma questão de tempo. Até lá, nomeadamente após a derrota em Penafiel, tivemos sempre cautela na gestão de egos e fazer com que todos tivéssemos os pés bem assentes no chão”.
Nuno Pereira lembra que “quando saímos de Penafiel, passamos a ter cinco pontos de avanço para o segundo classificado e ainda tínhamos de jogar com o segundo, quarto, quinto e sexto classificado e, não estávamos na nossa melhor fase”, mas “aí, mais do que um grupo de atletas, mostramos ser um grupo de homens e passamos para a nossa melhor fase, onde destaco a reviravolta com o Maia (estivemos a perder 4-1 e viramos para 5-4 em poucos minutos)”.
O que foi mais difícil? “Eu acho que todo o percurso foi difícil e quando se está num clube humilde como o Vila Praia temos de trabalhar o dobro dos outros para levar o barco a bom porto”, disse o treinador da ADJ Vila Praia, que salientou que “prefiro nomear o que foi mais fácil, e o mais fácil foi jogar com os adeptos fantásticos que temos. Foi uma luta muito pessoal em que propus que, todos juntos, fôssemos uma equipa agradável e que atraísse cada vez mais adeptos. Crescemos, provavelmente para o triplo, o número de assistências. É um facto que os resultam ajudam, mas o caráter dos jogadores e o trabalho da direção também influenciaram este aumento de adeptos e consequente ambiente positivo criado em torno da equipa, que foi fundamental para conseguirmos atingir o objetivo”.
Faltam quatro jornadas, três para o Vila Praia, vão aproveitar para descansar ou vão entrar em todos os jogos como até aqui? “Obviamente, e tendo sempre como princípio o grupo, nestes três jogos, e como o objetivo principal foi alcançado, será o momento de dar a oportunidade aos jogadores menos utilizados e, simultaneamente, reduzir níveis de fadiga de jogadores mais utilizados e, inclusive, recuperar totalmente de lesões”, disse Nuno Pereira, que adiantou: “mas o descanso é apenas em julho, até lá, temos a obrigação de mostrar, até à última jornada, do porquê de termos alcançado o primeiro lugar”.
Quanto à luta pelo título de Campeão Nacional… “É prematuro falar disso, porque apenas o Vila Praia carimbou já o passaporte. Contudo, à priori, haverá sensivelmente 25 por cento de probabilidades para cada equipa. Nessa liguilha vão estar os melhores de cada série e será sempre muito equilibrado”.





