Sete clubes da Associação de Voleibol de Braga manifestaram esta quinta-feira desagradados e preocupados com o futuro da Formação do Voleibol.
Em causa estão os sucessivos aumentos de custos e encargos praticados pela Federação Portuguesa de Voleibol (FPV) para a época 2026/2027.
Em comunicado o grupo de clubes refere que “pelo terceiro ano consecutivo, os clubes são confrontados com um agravamento generalizado da taxa de esforço financeiro. Destacamos subidas particularmente acentuadas como o aumento médio de 14,78% nas taxas de inscrição de equipas, o aumento médio de 17,74% nas licenças de atletas (com picos de 50% no escalão de Iniciados), a subida de até 15,22% no seguro desportivo obrigatório e o aumento de 100% na taxa de utilização do videocheck, a que acrescem os incrementos nos prémios e ajudas de custo de arbitragem”.
Para os clubes “estes aumentos tornam-se ainda mais graves se somados ao aumento constante das obrigações administrativas, aos investimentos exigidos em tecnologia e meios operacionais para cumprir com as diretrizes da FPV e ao quadro de multas de valores desproporcionalmente elevados a que os clubes ficam sujeitos”.
“É imperioso lembrar a realidade operacional do nosso desporto: os clubes que trabalham na Formação sobrevivem quase exclusivamente das mensalidades pagas pelos encarregados de educação. Numa conjuntura económica exigente para as famílias, não temos margem, nem legitimidade para repassar aumentos percentuais desta ordem aos encarregados de educação sem arriscar o abandono da prática desportiva”, lembram os clubes.
Salientando que “as estatísticas demonstram que os clubes têm feito um esforço notável para aumentar anualmente o número de praticantes federados”, os clubes da AVB lembram que “este crescimento da base gera, por si só, um aumento direto e orgânico da arrecadação de receitas da própria Federação (mais licenças, mais inscrições e mais seguros emitidos). Não se justifica, portanto, agravar a percentagem cobrada por atleta ou equipa quando a própria receita global da Federação já está a crescer fruto do trabalho de expansão realizado pelos clubes”.
“A estratégia da modalidade deveria ser precisamente a oposta: desonerar e apoiar os clubes para que estes possam continuar a expandir a base de praticantes, escalando o faturamento federativo através do volume e não da asfixia financeira de quem está na linha da frente”.
“A FPV, enquanto Instituição de Utilidade Pública e Utilidade Pública Desportiva que beneficia de transferências do orçamento do Estado no quadro da Lei de Bases do Desporto (normativo fundamental que reforça o princípio da prática desportiva para todos e a redução das assimetrias no acesso), deveria pugnar pela filosofia de transição para um modelo de prática desportiva que, ao nível da Formação, assuma um formato tendencialmente gratuito e não o contrário”.
Os diretores dos sete clubes pedem, por isso, à “direção da Associação de Voleibol de Braga que assuma uma postura ativa e de firme defesa dos interesses dos seus clubes filiados, fazendo chegar esta posição junto da FPV. Urge promover uma reflexão séria sobre esta política orçamental, adotando um modelo sustentável, justo e alinhado com o crescimento real da modalidade” e lembram que “o crescimento do Voleibol nacional só é possível com clubes fortes, financeiramente saudáveis e devidamente valorizados pelo papel essencial que desempenham”.
Os clubes da AVB que subscrevem o documento são:
Volei Clube de Braga – Braga
Futebol Clube “Os Académicos” – Barcelos
Atlético Voleibol Clube – Famalicão
Academia Voleibol Esposende – Esposende
Grupo Desportivo de Figueiredo – Braga
CARTaipense – Guimarães
Voleibol AE Amares – Amares





