
José Mendes, então a representar o Sporting – Tavira, sagrou-se há um ano Campeão Nacional de Fundo durante os Campeonatos Nacionais de Ciclismo de Estrada que decorreram em Melgaço. A vitória do ciclista de Guimarães levou ao rubro os muitos amantes da modalidade que se deslocaram ao Município mais a Norte de Portugal.
Um ano depois José Mendes, que hoje alinha na W52 – FC Porto, recorda com carinho o dia 30 de junho de 2019 e a forma como conseguiu conquistar a sua segunda camisola de Campeão Nacional.
“UM DIA QUE VAI FICAR MARCADO PARA SEMPRE”

José Mendes começou por referir que “é um dia que vai ficar para sempre na minha memória e na minha história” e explicou: “fui Campeão Nacional num ano muito especial. A época não me estava a correr, particularmente, bem e conquistar o título foi muito bom. É um dia que vai ficar marcado para sempre porque o sentimento foi muito intenso”.
Sobre a corrida em si, o ciclista de Guimarães lembra que “a corrida foi bem disputada, foi sempre muito ativa e acabou por ser controlada pelas principais equipas. A minha equipa, o Sporting – Tavira, teve que assumir as despesas da corrida na frente do pelotão para anular a fuga. Estava definido que eu e mais dois colegas nos iriamos poupar para atacar no fim, mas a determinada altura tive que assumir a luta pela para neutralizar as fugas. Foi uma corrida muito mexida. A dois quilómetros da meta, surgiu o momento do agora ou nunca, arrisquei e consegui ultrapassar o Ricardo Mestre, que ia na frente”.
O ATAQUE NO MOMENTO CERTO

José Mendes confessa que nos últimos dois quilómetros, quando decidiu atacar, a ideia era mesmo para ganhar.
“Inicialmente não me apercebi que o Ricardo Mestre estava à frente porque na última subida do circuito que antecedia o principal não consegui ver o ataque dele. Quando ataquei não sabia que ele estava a frente. Apenas na última subida para a meta é que vi um corredor à minha frente. Ter ali uma referência levou-me a dar tudo para o alcançar. Quando o alcancei pensei sempre que ia conseguir. Recordo-me que desde que ataquei até cortar a meta só olhei uma vez para trás, foquei-me muito no que estava à frente e foi um sentimento tão forte o de ter conquistado a vitória… ”.
“FOI UM ANO QUE NÃO DEU PARA DESFRUTAR A CAMISOLA A 100 POR CENTO”

Durante este ano José Mendes não teve grande oportunidade de exibir a camisola de que tanto se orgulha… “depois dos Campeonatos Nacionais participei na Volta a Portugal, foi um momento muito especial poder desfrutar a camisola durante a Volta”, mas “depois da Volta a Portugal o calendário português é um pouco pobre em termos de competição. Este ano a época estava, praticamente, a começar quando surgiu a pandemia e não deu para mostrar a camisola em competição. Posso dizer que foi um ano em que não deu para desfrutar a camisola a 100 por cento. É verdade que sai todos os dias para treinar e sinto um orgulho imenso de poder mostrar a camisola, mas precisava de competições”.
José Mendes considera que “ninguém tem culpa desta situação, mas penso que é muito injusto para mim e para o próximo Campeão porque acabamos por ter menos tempo útil com a camisola. Se calhar eu sou o mais prejudicado porque não posso desfrutar da camisola nas competições” e acrescentou: “sei que sou um afortunado porque já consegui vencer o Campeonato Nacional por duas vezes, mas não é uma coisa que aconteça muitas vezes e estar mais de meia de época sem ter corridas e poder mostrar a camisola é um pouco frustrante”.
“SE TIVER OPORTUNIDADE VOU DEFENDER O TÍTULO DE CAMPEÃO NACIONAL”

Como diz o povo, não há duas sem três…“se eu tiver oportunidade vou tentar lutar pela vitória, mas é difícil. Vencer o título dois anos seguidos não vai ser fácil. Acredito que vou estar mais vigiado. Depois é difícil estar a fazer previsões porque está a ser um ano diferente. Seja como for se tiver a oportunidade vou defender o título de Campeão Nacional”.
Para já o calendário está ainda muito indefinido… “a informação que temos é que os Campeonatos Nacionais estão marcados para agosto. Até lá temos muito poucas competições. A Prova de Reabertura realiza-se já no dia cinco, seguem-se mais dois dias de competição e GP Torres Vedras – Troféu Joaquim Agostinho. Depois temos um mês sem competição. Não sei quais são as intenções da FPC, mas nós estamos um pouco às cegas. Se esse mês for preenchido com algumas provas, competições que foram adiadas devido à pandemia como as clássicas, o GP JN, o GP O Jogo, por exemplo, seria muito importante para todos nós e uma boa solução”.
A IMPORTÂNCIA DE RETOMAR AS PROVAS

José Mendes refere mesmo que “a Volta a Portugal é de grande importância, mas se antes tivéssemos competições, era muito importante para preparar o terreno e para voltarmos todos mais fortes e já preparados para as novas regras e restrições que vamos ter que ter durante as corridas”.
O ciclista de Guimarães refere que “esta é uma situação muito complicada para os atletas. Desde março que estamos assim, tentamos manter a atividade, mas sempre com a incerteza quando ao regresso do ciclismo ou se vai haver regresso”.
ADIAMENTO DA VOLTA A PORTUGAL

O mais recente golpe foi o adiamento da Volta a Portugal…“acredito que esta decisão não tenha sido fácil e acabou por ser forçada pelas Câmaras. Não imagino as dificuldades que estão a passar para marcar a Volta a Portugal, espero que se realiza” de qualquer das formas: “acredito que esta decisão não tenha sido muito má. O tempo estava a escassear e nós sem sabermos como se ia realizar. Era importante retomarmos o calendário, vermos como correm as coisas, os ciclistas terem competição, e depois com calma e se tudo correr bem marcar a Volta a Portugal com tempo para que todos se possam organizar, preparar e ao mesmo tempo dar tempo para que o país ganhe confiança”.
PROVA DE REABERTURA: “SÓ NO DIA DA PROVA É QUE SABEMOS COMO ESTAMOS”

As provas arrancam já no próximo domingo. José Mendes acredita que está em boa forma, mas lembra que só com a competição se saberá.
“Estas últimas semanas tenho treinado bem, estou a sentir-me bem. Domingo é a prova de reabertura, não sabemos bem o que nos espera. Fazemos o trabalho de casa, mas só no dia da competição é que sabemos como estamos. Tenho muita vontade de voltar a competir. Vai ser um esforço doloroso porque é um contrarrelógio individual, mas penso que foi uma boa decisão, assim será mais fácil de cumprir com as medidas impostas. Depois aos poucos e poucos retomar a competição normal. É importante que tudo corra bem para haver confiança para o futuro. Penso que se estas primeiras provas correrem bem, as próprias autarquias vão repensar e retomar as provas”.