
A Escola de Lamaçães viu-se impedida de lutar pelo Campeonato Nacional de Infantis de voleibol feminino. A equipa treinada por Guilhermina Rodrigues teve apenas tempo de se estrear na prova, antes da paragem das competições devido ao coronavírus.
Na época passada a Escola de Lamaçães, na altura a disputar o escalão de Iniciados, conquistou o terceiro lugar do Campeonato Nacional. Este ano os sonhos ficaram adiados, assim como a evolução das atletas da equipa…
“O Lamaçães disputou apenas uma jornada, frente a uma equipa muito forte, o AAS Mamede. Foi um jogo muito disputado e apesar de termos perdido a equipa mostrou que estava no bom caminho, estava a evoluir”, começou por referir Guilhermina Rodrigues.
A treinadora da Escola de Lamaçães lamenta que toda esta situação, provocada pela pandemia, tenha surgido porque impediu as atletas de evoluírem… “a parte do Campeonato Nacional faz falta à formação das atletas porque encontram adversários de muito bom nível, ajuda-as a evoluir. É uma fase importante para a formação dos atletas. Assim, perdeu-se uma parte importante da evolução delas”.
“A NOSSA GRANDE META ERA CHEGAR AO CAMPEONATO NACIONAL”

De resto, o grande objetivo da época já tinha sido alcançado “a nossa grande meta era chegar ao Campeonato Nacional e conseguimos, só foi pena não o disputarmos porque era uma parte importante do processo de formação e ficou em stand by. Esperávamos grandes progressos nestas 8-10 jornadas, mas com o encerramento das provas, esses processos de formação das atletas sofreram uma paragem”.
Agora “temos que esperar que a sociedade resolva este problema. Queremos regressar, mas queremos fazê-lo com segurança. Temos que fazer um trabalho adequando para recuperar o tempo perdido, mas isso só será possível quando as autoridades de saúde deram o aval”, referiu Guilhermina Rodrigues.
“FOI UM GRUPO QUE EVOLUIU BASTANTE”

Fazendo um balanço da evolução da equipa até à paragem das provas, a treinadora do Lamaçães não tem dúvidas: “foi um grupo que evoluiu bastante e eu estava à espera que evoluísse ainda mais durante o Campeonato Nacional. Independentemente de conseguirmos ou não o apuramento para a Final8, o importante era que a equipa continuasse a crescer e era expectável que em maio estivesse já noutro patamar, com muito mais maturidade”.
A Escola de Lamaçães, que se sagrou Campeã Regional de Infantis, estava a participar ainda no Torneio do 78.º Aniversário da AVP no escalão de Iniciados, tendo vencido os seis encontros que tinha realizado. “Estávamos a ter uma boa participação e ocupávamos os primeiros lugares numa prova em que a algumas das equipas eram do escalão de Iniciados. A equipa estava a adaptar-se bem e a ter um bom desempenho”.
GUILHERMINA RODRIGUES MANTÉM-SE À FRENTE DA EQUIPA

Guilhermina Rodrigues vai continuar a orientar a equipa, que na próxima época sobe ao escalão de Iniciados. “Acredito que este grupo vai conseguir coisas interessantes no Voleibol. Claro que quando regressarmos ao trabalho temos que fazer um trabalho de recuperação. Mas dada a composição do grupo é de esperar que se consiga fazer um trabalho sustentado. De resto a equipa tem um bom índice de altura, que é importante, porque há uma rede pelo meio e o objetivo do Voleibol é colocar a bola no chão do adversário ou levar o adversário a cometer algum erro. Está provado que as atletas com maior índice de estatura ou com uma boa impulsão têm mais sucesso”.
Guilhermina Rodrigues tem mantido alguns contactos com as atletas e a ideia que lhes tem transmitido é que “não podem estar sem fazer nada, mas também não devem estar obcecados pela forma física. Têm isso sim que manter as rotinas de sono, de estudo, isso é importante”.
“NADA SUBSTITUIU O TREINO EM GRUPO”

A treinadora do Lamaçães lembra que “nada substituiu o treino em grupo, com a supervisão dos treinadores para verem se as atletas estão a fazer as coisas corretamente. Nós quando voltarmos teremos o nosso tempo para recuperar. Claro que pode custar mais ou menos, dependendo do tempo de paragem. O Voleibol é uma modalidade muita específica em que a bola não pode cair no chão, nem pode ser agarrada, é preciso ter a sensibilidade da bola. Se durante o verão se puder jogar alguma coisa, na praia, num campo, facilitará o regresso aos treinos de pavilhão”.
Outras das questões do Voleibol é o contacto entre as atletas: “é impossível de controlar esses toques, que fazem parte da modalidade. E até se consegue não cumprimentar as adversárias e os restantes agentes desportivos, mas é impossível de controlar os toques entre elas quando se ganha ou perde um ponto. Depois no voleibol é frequente vê-las a levar a mão à cara, depois à bola. Por vezes vão duas atletas à bola. Não sei como vão controlar isso. Resta-nos aguardar por notícias e pelas recomendações da GDS”.

Certo é que “o regresso aos treinos do Lamaçães só quando for permitido pelas entidades de Saúde e a decisão da Escola”.