CANOAGEM

Antoine Launay (DKC): “é o momento de parar”

Antoine Launay, canoísta da Darque KC de Viana que esteve presente nos Jogos Olímpicos de Tóquio na categoria de Slalom, decidiu por um ponto final na sua carreira internacional. O mais forte canoísta de Slalom da Seleção Nacional afasta assim a hipótese de lutar por um lugar para Paris’2024…

“Este é o momento de parar”, disse Antoine Launay, quando questionado das razões que o levaram a tomar tão drástica decisão. O canoísta do clube de Viana do Castelo refere que “foram muitas as razões que me levaram a tomar esta decisão… A falta de recursos, a cobiça que persiste e sinaliza, a falta de apoio, o planeta que vai mal e a vontade de agir. É um conjunto de coisas que levou a perceber que é o momento de parar”.

O SONHO DOS JOGOS OLÍMPICOS

Antoine Launay viveu nos últimos anos o ‘sonho’ dos Jogos Olímpicos, ficou satisfeito com a caminhada, mas desagradado com o resultado…

“Eu vivi esse sonho de competir numas Olimpíadas…. O meu sonho era um pódio olímpico. Nós sabemos o resultado. Estou feliz com minha jornada, frustrado com os resultados finais. No entanto, também estou com muito medo de continuar e ficar amargurado com a vida”, disse Launay, que lembra que “em Tóquio terminei em 11.º e dei tudo (pessoalmente, financeiramente, meu tempo…)”.

“Eu poderia dar tanto para 2024? Não tenho certeza. E ir para as Olimpíadas, fazer tudo de novo e depois terminar do top 10 ou mesmo no sétimo lugar!!??… Ficaria dececionado. Hoje, a frustração parece boa em mim, em vez de um sentimento ruim”.

“FOI A DECISÃO MAIS DIFÍCIL DE TOMAR”

Foi uma decisão difícil de tomar? “Foi a decisão mais difícil de tomar… porque é a escolha de parar de fazer o que sei fazer de melhor, o que mais fiz na minha vida. Eu pratico caiaque há 21 anos. Tenho 28 anos e poucas pessoas, realmente, entendem minha escolha. Muitos, se não mesmo todos, estão surpresos e eu levo sempre longos minutos para explicar a minha decisão. Dizem-se sempre: “mas Paris é daqui a três anos … e é o seu país também”. Quem fala isso não conhece a minha vida e a vida de atleta de topo amador”.

A falta de apoios pesou muito nesta tua decisão? “Sim, sem dúvida…O termo falta de suporte significa muito. Estou feliz com tudo que fiz, organizei, administrei, mas no final fui mais um líder de equipa, um logístico do que um atleta. O meu desporto, a minha federação não deu meios para mais e então eu contentei-me com o que eu tinha…”, disse Antoine Launay.

O canoísta da DKC Viana referiu que “a falta de apoio mostrou-me que eu não poderia esperar melhor do que o que fiz, o que consegui. Eu empurrei em todos os lugares, pedi a todos ao longo dos anos por mais apoio e não consegui. Tive coisas (e agradeço sobretudo à Câmara de Viana do Castelo), não ‘cuspo’ em nada, mas para ganhar uma medalha faltou muita coisa”.

“NÃO QUERO COMEÇAR DE NOVO NUM SISTEMA QUE ESTÁ SEMPRE LIGADO”

“Agora que eu decidi parar, então todos me perguntam como me ajudar, o que fazer para me manter no ativo, mas agora que gastei todo meu dinheiro, toda minha energia, não quero começar de novo num sistema que está sempre ligado”, disse Antoine Launay.

Estes últimos anos – apuramento e Jogos Olímpicos – foram os mais difíceis da tua carreira? ou valeu a pena a experiência dos Jogos Olímpicos? “A experiência nas Olimpíadas valeu a pena. Foi um caminho difícil, repleto de armadilhas, mas foi muito divertido chegar ao fim e sair com os melhores do mundo. É incrível como era alto o nível dos treinos antes das Olimpíadas. Foram umas Olimpíadas Especiais…”.

Olhando para trás, qual é para ti o melhor momento e o que te custou mais? “O melhor momento foi a semifinal dos Jogos Olímpicos, tive uma sensação muito boa, adorei minha navegação, um momento mágico que esperava há tanto tempo” disse Antoine Launay, que adiantou que “o que mais me custou foram todas as viagens, o facto do meu time (equipa) que não foi aceite pela federação, então tive que financiar tudo sozinho. Muita coisa sai cara num desporto amador quando você não é campeão olímpico, em que tem muito patrocinador e uma federação atrás de você”.

Sentiste que em Portugal ainda se tratam os atletas como o “elo mais fraco” quando são eles os protagonistas?

“Não, não. Portugal está muito bem com estes atletas e tive muita sorte porque a Federação é a de Canoagem, mas conhece mais a Pista do que o Slalom. Então eu tive muita sorte em criar um sistema (que eles mais ou menos aceitaram) e fazer meu programa que eles aceitaram. Só hoje, em Portugal, mas viajando pelo mundo inteiro. Posso dizer que Portugal e os portugueses têm muita sorte com os meios e com um grande Comité Olímpico. Muitos outros países, nações são piores. Hoje o problema na minha opinião é que estamos num conflito entre sistemas diferentes e o Covid veio trazer mais um grande problema”, disse Launay.

“Hoje tudo custa mais, temos cada vez menos meios e queremos sempre a mesma coisa. Fora os países onde o desporto é legião, nos países com muito pouco desporto é muito difícil sobreviver. O caiaque é um desporto ‘pequeno’, é muito difícil aventurarmo-nos e nos realizarmos. Temos que pagar por tudo e o tempo todo e eu treino mais de cinco horas por dia. Para além do dinheiro, depois não consigo estar à altura de lutar por uma medalha porque gasto muita energia fazendo coisas extras… quando o meu trabalho é treinar”, referiu o canoísta da Darque KC de Viana.

“COVID VEIO MOSTRAR QUE NÃO SOMOS ESSENCIAIS…”

Antoine Launay referiu ainda que “o Covid também nos veio mostrar que os atletas não são essenciais. O mundo continuará girando sem nós … enquanto hospitais, catadores de lixo, professores, fazendeiros são essenciais”, e adiantou que “doeu-me muito tirar dinheiro de Portugal ficando em casa durante o confinamento. Eu sei como é trabalhar e acredito que muita gente deveria estar a receber melhor porque eles são essenciais para todos”.

“Pessoalmente, eu sou feliz com o que fiz, com o que consegui, mas foram poucas as pessoas me viram nas olimpíadas e isso é ainda mais frustrante”.

“DARQUE É A MINHA FAMÍLIA”

Antoine Launay dá por terminada a carreira internacional, mas vai continuar ligado ao Slalom e à DKC Viana… “Vou continuar na Darque para sempre. Darque é minha família, eu, realmente, os considero assim. O mesmo se passa com Viana do Castelo. Sou o embaixador de Viana do Castelo – Cidade Europeia do Desporto em 2023… Então vou ficar e fazer os Campeonatos Nacionais, pelo menos até 2023” e salientou que “eu sempre estarei lá para eles, então sempre que eles me pedirem, eu estarei lá”.

Antoine Launay, que esteve parado desde agosto, regressou no fim de semana à competição para envergar as cores da DKC Viana no Campeonato Nacional de Slalom…

“Não foi um Campeonato Nacional como outro qualquer. É a primeira vez que fico sem treinar tanto tempo, desde as Olimpíadas. Fiquei feliz por estar lá, por compartilhar este momento com o meu clube DKC, para discutir os Jogos Olímpicos e anunciar o meu fim de carreira”.

Afirmando que “os resultados foram secundários para mim neste fim de semana”, Antoine Launay acabou por sair de Amarante com uma medalha de ouro e duas de prata “estou feliz”.

Launay conquistou o primeiro lugar nas Patrulhas em C1 e fez segundo lugar nas Patrulhas em K1 e em C2 Misto, em que atuou com Valeria Araújo. O canoísta foi ainda sexto em K1 e oitavo em C1.

Questionado sobre se o regresso à competição não repensar a decisão, Antoine Launay referiu que “não! Foi uma decisão difícil de tomar, levei muito tempo para decidir. Pesei os prós e os contras desse julgamento. Eu sei o que quero agora para o meu futuro. Cuidar do planeta”.

CUIDAR DO PLANETA

O que pretendes fazer em termos desportivos daqui para a frente? “Desportivamente eu adoraria compartilhar o que aprendi. Gostaria de manter um estilo de vida saudável como quando estava no nível mais alto”, disse Launay, que garante que ainda não pensou, nem tem perspetivas de outros desportos.

Quanto ao futuro, Antoine Launay garante que quer “cuidar do planeta” e tem já alguns planos… “Eu gostaria de me tornar um agricultor orgânico. Eu gostaria de cuidar da terra e estar mais perto dela. Nas Olimpíadas tudo era concreto, o percurso de caiaque é só concreto. Preciso sentir o ar por entre as árvores e cuidar da terra. Procuro plantar citrinos em Portugal, mas até agora plantei 75 árvores de fruto em França. Estou procurando um pouco mais de terra para me desenvolver plenamente e fazer uma fazenda viável onde todos possam se sentir bem”.

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