CICLISMO

José Dias: “voltar a treinar na estrada teve um sabor especial”

José Dias, atleta de Fragoso, Barcelos, que alinha na equipa italiana da Racing DMT, está satisfeito por regressar em pleno aos treinos da estrada e no monte. O ciclista minhoto, que esteve cerca de três semanas a trabalhar apenas nos rolos, garante que “voltar a treinar na estrada, no monte, enfim aos treinos normais teve um sabor especial”.

“Depois de duas a três semanas de confinamento, comecei a alternar os trabalhos nos rolos com as saídas para a estrada ao abrigo da autorização concedida aos atletas com contrato profissional ou com estatuto de alto rendimento”, começou por referir o atleta de Barcelos, que adiantou: “quando saia para a estrada fazia-o sempre sozinho e por pouco tempo. Depois lentamente e com o levantamento de algumas restrições fui começando a regressar aos treinos normais”.

José Dias confessa que “voltar a treinar aos treinos normais teve um sabor especial. Não gosto muito de fazer rolos e de estar fechado em casa e só por isso foi um alívio voltar a treinar ao ar livre”. Claro que “continuo a treinar com o máximo de cuidados possíveis, sem arriscar muito. Nos primeiros dias esteve mau tempo e nesses dias optei por treinar em casa porque é preferível manter uma atitude cautelosa”.

CUIDADOS AO FAZER BTT

José Dias tem tido muitas cautelas quando opta pelo treino de BTT: “tento fazer um pouco de BTT, fazer os treinos mais específicos para não perder a técnica, a vontade e o feeling normal da competição, mas tenho muito cuidado, principalmente, com as manobras, tento não fazer as partes muito arriscadas para evitar parar no hospital. Então faço uma condução mais segura, sigo pelos caminhos do BTT. De resto, o que tenho feito mais vezes é treinar na estrada com a bike de BTT, troco-lhe as rodas e lá vou eu”.

José Dias continua a treinar, maioritariamente, sozinho: “uma vez ou outra tenho companhia no treino, nos treinos mais longos, de quatro ou cinco horas, mas temos o máximo cuidado. Claro que nos treinos longos é sempre preferível ter companhia, sempre nos sentimos mais motivados, temos alguém com quem falar, trocar impressões e o tempo passa melhor”, mas “treino a maior parte das vezes sozinho. Aliás já anteriormente à pandemia treinava maioritariamente sozinho”.

“O QUE ME CUSTA MAIS É ESTAR SEM COMPETIR”

Durante este período o que te tem custado mais? “O que me custa mais é estar sem competir. De uma forma ou de outra temo-nos mantido a treinar, continuamos empenhados em manter a forma, mas, para já, não temos competições agendadas. Felizmente já começamos a ver alguma luz ao fundo do túnel, já se começa a perspetivar algumas provas e isso é muito positivo. Até aqui treinávamos sem objetivos. A única coisa que íamos vendo era o cancelamento das competições e não sabíamos para o que estávamos a treinar”.

BALANÇO POSITIVO DO ARRANQUE DA ÉPOCA

José Dias participou em duas competições no arranque da época. O Costa Blanca, que se realizou em janeiro, e o Andalucia Bike Race, prova por etapas que se realizou em finais de fevereiro…

“Estávamos, praticamente, a começar a época quando tudo isto apareceu. Penso que fiz uma boa pré-época e estava em crescendo de forma, mas de repente vimos tudo suspenso” referiu José Dias, que lembrou as duas provas em que participou: “o Costa Blanca era a primeira prova da época e correu dentro do esperado. No Andalucia fui obrigado a abandonar a dois dias do fim. Estava na sétima posição e os 10 primeiros tinham tempos muito próximos. Acredito que podia subir algumas posições, mas tive algumas quedas e na última fiquei maltratado e obrigou-me mesmo a parar. Nessa corrida a meta era ajudar o Tiago”.

A prova do Andalucia deixou marcas no ciclista de Barcelos… “tive que parar de treinar durante 15 dias, tive que fazer recuperação e fisioterapia ao ombro. Na semana em que as competições foram suspensas tínhamos outra prova e ainda estava indeciso se iria regressar”.

Agora “quase que temos que fazer outra pré-época para regressar às competições para quando elas regressarem, se regressarem”.

CAMPEONATO NACIONAL

Em Portugal, José Dias tinha como objetivo participar no Campeonato Nacional de Maratonas e no Campeonato da Europa “essas provas estão suspensas e não se sabe se e quando serão disputadas”, mas “a maior parte das provas são no estrangeiro e confirmadas temos o Brasil Ride e o Campeonato do Mundo, que estava marcado para abril e passou para setembro ou outubro, vamos a ver”.

José Dias considera que “é complicado porque não sabemos quando poderemos competir. Sabemos que as corridas podem voltar de um momento para o outro e, por isso, temos que manter o ritmo dos treinos, mas ao mesmo tempo não sabemos quando poderemos voltar”.

Quanto às provas que se iriam realizar em Portugal, José Dias referiu que “eram duas provas em que iria tentar andar bem” e adiantou “todo o ciclista gostava de vestir a Camisola de Campeão Nacional e andar com ela durante um ano. Claro que gostava de estar na luta. Ela, para já, está na equipa e isso é o mais importante. Primeiro estão os objetivos da equipa e ajudamos a equipa. A mim resta-me ajudar no que for possível”.

PASSAGEM PELA ACR RORIZ E OPÇÃO PELA MARATONA

José Dias começou a sua caminhada no BTT na Casa do Povo da Retorta, passando depois, já como Sub-23, pela ACR Roriz (Seissa) e Racing DMT. O jovem ciclista de 25 anos explica porque escolheu o BTT: “foi uma vertente que sempre me cativou e nas bicicletas é a que dá mais adrenalina e um sentimento de liberdade. Nós, nas provas de BTT, passamos por locais que de outra forma nunca lá iriamos, conhecemos locais lindíssimos”. E porque o BTT XCM e provas de etapas? “Até terminar a minha passagem pela Seissa fiz Cross Country (XCO) e gostava, mas depois tive que tomar uma decisão. No XCO iria ficar em Portugal mais dois ou três anos. Surgiu a oportunidade de ingressar na DMT e eu agarrei a oportunidade e segui a variante de Maratonas e provas por etapas”.

O ciclista barcelense diz-se “muito feliz por estar na DMT. Formamos um grupo muito unido, o ambiente na equipa é muito bom, somos quase como uma família e isso é bom para todos. Nós passamos muito tempo fora de casa e com um ambiente assim não custa tanto. É daquelas amizades que fica acima de tudo”.

Apesar de representar uma equipa italiana, José Dias continua a morar em Fragoso e garante “a única diferença é que as competições são maioritariamente no estrangeiro. Viajamos muito, mas voltamos sempre a casa e isso dá-nos outra estabilidade e tranquilidade”.

“TENTO DAR SEMPRE O MEU MELHOR”

Quanto ao futuro, José Dias garante que não traça grandes objetivos: “eu tento dar o meu melhor, tento sempre fazer o melhor possível e há resultados que nos fazem pensar que, se calhar, podemos ainda fazer melhor. Foi o caso o ano passado quando fiz oitavo lugar no Campeonato da Europa, no final e nos dias seguinte comecei a pensar que, se calhar, no próximo Europeu posso melhorar esse lugar”, mas “por opção tento sempre fazer melhor e sei que os grandes resultados podem aparecer. Quando estamos muito focados num resultado isso acaba por pesar psicologicamente e pode ser negativo”.

Claro que “como todos os atletas eu gosto de ganhar. Sei que se fizer bem o trabalho é possível chegar lá. Penso que as coisas vão sair naturalmente. Gostava de obter bons resultados nos Europeus e Mundiais e ganhar algumas etapas nas corridas com mais dias”.

SELEÇÃO NACIONAL

O ciclista barcelense representa a Equipa Nacional de Estrada na Prova de Abertura, uma experiência que, confessa, gosta imenso… “gosto muito de participar na Prova de Abertura, é a única prova que faço na Estrada, e onde encontro todos os meus colegas de treino. É uma prova em que aproveitamos para pegar uns com os outros, são as picardias saudáveis. Depois não faço mais nenhuma porque o calendário não permite e o corpo também precisa de descanso. Naquele dia divirto-me bastante porque tenho a oportunidade de estar com os amigos”.

José Dias também representou a Seleção Nacional de BTT: “representar o nosso país é um orgulho e uma oportunidade que nós temos. Na formação era a única oportunidade que tínhamos de correr no estrangeiro e era aí que tentávamos fazer as nossas melhores corridas, até porque é uma responsabilidade grande. Em Júnior e Sub-23 eram chamado um grupo restrito aos trabalhos da Seleção e nós ficamos todos contentes por estarmos no lote dos escolhidos, mas sentimos uma grande responsabilidade porque estamos a representar os ciclistas do nosso país. Por isso, eu agarrei as oportunidades com unhas e dentes”.

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