CICLISMO

António Viana com arranque à Campeão

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António Viana, do Bombos S. Sebastião/ MonçãoBike, não podia ter tido um arranque melhor na época de 2020. O ciclista vianense começou os Campeonatos do Minho a vencer: na Maratona de Ponte da Barca impôs-se em Master 45, deixando o seu mais diretor perseguidor a mais de quatro minutos numa vertente que nem é a sua favorita. Já em XCO, modalidade em que é Campeão do Minho, dominou o 6.º BTT XCO de Melgaço, assumindo-se assim como o líder do Campeonato do Minho de BTT XCO – POPP Design.

António Viana participou ainda na primeira prova da Taça de Portugal de Cross Country Olímpico (XCO), que se disputou em Vila Franca do Lima, Viana do Castelo, e fez terceiro lugar.

DUAS VITÓRIAS EM DUAS VERTENTES DIFERENTES

António Viana confessa que “não estava à espera” e explica “eram as primeiras provas do ano no Minho e estamos sempre na expetativa de ver como estamos, dos colegas que subiram de escalão e aparecem sempre rostos de grande qualidade. Todos os anos é cada vez mais difícil de vencer quer pelos colegas, quer por nós próprios. É sempre a primeira corrida” e depois “tinha feito uma prova de XCO na Taça do Porto, que não me correu de feição e no final fiquei a pensar que não estava na forma que pensava que estaria…”.

No entanto, António Viana, que aposta sobretudo no XCO, chegou a Melgaço e conseguiu impor-se aos seus colegas, vencendo sem grandes dificuldades “sou do Alto Minho, de Mazarefes, e, portanto, correr em Melgaço e, principalmente, em Vila Franca diz-me muito e procuro estar o melhor possível”.

“A MINHA PRAIA É O XCO”

António Viana começou a pedalar aos 15 anos ao lado do pai e no cicloturismo. Como federado do BTT corre há cerca de seis anos. Começou quase que por acaso: “para me preparar para acompanhar um colega nos Caminhos de Santiago em bicicleta”. Depois “quis fazer o Caminho Francês e era preciso fazer uma boa preparação. Comecei a participar nas provas em Vila do Conde, no Porto e fui ganhando o gosto e as provas”.

Hoje António Viana representa o Bombos S. Sebastião/ MonçãoBike, depois de ter estado três aos no Maiatos, e divide as suas atenções entre as vertentes de XCM (Maratonas) e XCO (Cross Country Olímpico).

António Viana não tem dúvidas “a minha praia é o XCO. A minha equipa aponta mais para o XCM e quando me fez o convite para representar o Bombos S. Sebastião comecei a ajudá-los em XCM, mas sem deixar de fazer as provas de XCO”.

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“São duas vertentes muito diferentes, os esforços são completamente diferentes, a duração da prova, a interação entre os ciclistas e com o público. Mas eu gosto de desafios e o primeiro ano foi de aprendizagem. Tenho os meus objetivos, não sei o que vai acontecer agora com toda esta situação, mas o início foi promissor”, disse António Viana.

OBJETIVOS: “REVALIDAR O TÍTULO DE XCO… E FAZER UM BRILHARETE EM XCM”

Quantos aos objetivos o ciclista vianense referiu que “se não tivesse aparecido nada destas coisas que nos pôs em casa, o meu objetivo era revalidar o título de Campeonato do Minho de XCO e tentar fazer um brilharete no XCM… iria tentar lutar pelo primeiro lugar”.

Para um segundo lugar ficaram as provas da AC Porto e Taça de Portugal: “o XCM da AC Porto é secundário. Já a Taça de Portugal de XCO está fora dos meus planos. O XCO não é uma vertente em que a equipa aposta e fazer sozinhos deslocações longas não faz sentido. Fiz Vila Franca, por tudo o que me diz, e, eventualmente, poderia participar na prova de Valongo, porque sou de Mazarefes, mas resido na Maia e, portanto, acabaria por ficar perto”.

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PANDEMIA NÃO MEXEU COM ROTINA DOS TREINOS

Com a pandemia António Viana viu suspensas todas as provas, quanto ao trabalho: “não mudou nada” e explicou “eu não treino na rua. Faço competição federada há seis, sete anos e sempre fiz treino nos rolos. Não tenho disponibilidade de tempo para treinar na estrada durante o dia e não me exponho à noite, no meio do trânsito, sujeito a ter um acidente. Também não sou daquelas pessoas que se dispõe a levantar às cinco da manhã para treinar antes de ir para o trabalho. Não estou a lutar para ir aos Jogos Olímpicos”.

“Eu gosto muito de ciclismo e de treinar, mas tenho uma barreira daquilo a que estou disposto a fazer. Há cinco ou seis anos que treino maioritariamente nos rolos. Posso dizer que em 2019 fiz zero quilómetros na estrada. E saí em dezembro para fazer companhia aos mês colegas. De resto, saio para a competição, tudo o resto é dentro de casa. Então este último ano e meio descobri um programa e temos um grupo que nos permite treinar nos rolos horas a fio e é engraçado”.

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Portanto, o Covid-19 “a mim não veio mudar rotinas de treino, mas aos meus colegas mudou e muito. Até porque a grande maioria respeita as indicações da DGS. Eles agora começam a perceber porque não faço estrada e estão a aderir ao programa e conseguem fazer um treino de quatro, cinco horas nos rolos. Claro que não vou dizer que este é o método desejável, mas para mim é o preferível porque consigo treinar, sem me expor a acidentes, que são cada vez mais, e estou sempre próximo da família”.

Claro que no arranque de cada época: “notamos alguma falta de treino no monte, na estrada. Nas primeiras provas pomos mais vezes o pé no chão, temos mais alguns receios, mas tudo passa”.

“VAMOS ESPERAR PELA RECALENDARIZAÇÃO DE ALGUMAS PROVAS”

Quanto a um regresso das competições, António Viana mostra-se desconfiado: “tenho muitas dúvidas que tenhamos provas em breve. Vejo as coisas muito difíceis. Até finais de maio está tudo suspenso. Eventualmente, podem abrir as portas em junho ou junho, mas será para os desportos que movem milhões. No ciclismo se não houver Volta a Portugal vai ser uma desgraça e as equipas profissionais vão ter enormes dificuldades, mas penso que estão a fazer de tudo para aguentar a data. Quanto a nós só deveremos ter provas em setembro ou outubro”.

“Vamos esperar que haja a recalendarização de algumas provas, até porque o BTT, infelizmente, não move muitas pessoas, são apenas os atletas e os familiares e pouco mais. Portanto, não haverá o perigo de juntar muita gente”, disse ainda António Viana, que lembrou que “em setembro e outubro temos muitos fins de semana para poder disputar algumas provas, porque seria mau darmos por encerrada uma época, que estava apenas a começar”.

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“SE NÃO HOUVER COMPETIÇÃO AS EQUIPAS VÃO TER ENORMES DFICULDADES”

Considerando que “se não houver competição as equipas, todas elas, vão ter enormes dificuldades para se manterem e arranjarem patrocinadores porque acabam por passar o ano e não mostrar a camisola, os seus sponser”.

António Viana vai mais longe e referiu que “esta pandemia vai ser apenas aponta do iceberg. Quando isto passar é que vamos ver como fica o mundo, como vai lidar com a crise financeira, com o fecho em massa de muitas empresas e as pessoas a ir para o desemprego e isto é mundial, não se trata apenas de um país ou dois. Vêm aí anos difíceis”.

TELETRABALHO E POUCAS SAÍDAS

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Se em termos de treinos, António Viana não viu a sua vida alterada com a pandemia, já no que diz respeito ao trabalho teve que se adaptar a trabalhar de casa: “estou em casa em teletrabalho há três semanas. Só saio uma vez por semana para ir às compras. A minha família não sai de casa há cinco semanas. Eu vivo num dos concelhos com mais casos de Covid-19 e, portanto, todos os cuidados são poucos, nunca sabemos o que podemos encontrar e aonde podemos ser infetados. Esta não é uma doença de velhinhos, é uma doença que ataca a todos”.

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